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Contos de Terror: As conversas do "além" no poço de Vítor.

O converseiro.                É impossível imaginar ou conhecer um povoado  no interior em que não há algum causo que tenha como cenário um poço. No nosso pequeno vilarejo que chamamos de Bom Lugar, localizado entre os povoados  Pontal e Marinho, tínhamos como fonte de abastecimento durante a estiagem o "poço de Vito". Antes de falar do poço, vou chamar a atenção para o seu dono. Vítor era um senhor muito enigmático, diziam que ele andava sobre brasas e não se queimava,  passava descalço por cima de forno de assar farinha mesmo quando estava quente e saía sem uma queimadura na sola dos pés. Quando amolava o patacho, para saber se estava bem afiado, ele testava a ferramenta na palma da própria mão, simulando um corte. Eu o chamava de vovô porque ele era pai de Maria, uma senhora que eu carinhosamente chamo de mãe, pelo fato dela ter cuidado de mim quando estava recém-nascida. Seu "Vito" como nós chamávamos, faleceu com 102 ano...

Contos de Terror: A curacanga e os vizinhos espiões.

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     A curacanga e os vizinhos espiões.     Nada me fascina mais que ouvir as lendas e estórias das pessoas mais velhas que descrevem tudo com riquezas de detalhes e encantam aos seus ouvintes. Ouço degustando cada palavra como se estivesse ali, presenciando tudo o que estou ouvindo. Na minha infância, havia uma linha tênue que me dividia: o que fazer? ouvir até  o final e ficar com medo ou parar por ali? Não, eu nunca deixei de ouvir, não poderia e não deveria. Já sabia que o terror tomaria conta da minha noite e não adiantava alegar medo, eu sempre era alertada do teor e continuava a ouvir por opção. Das muitas estórias que me fizeram tremer na rede e não deixar meu pé descoberto com medo de alguma mão gélida agarrar, a que mais me causou assombro foi a de uma mulher que virava  curacanga.          Reza a lenda que quando um casal tem sete filhas sem ter tido nenhum homem entre elas, a mais velha deverá ser mad...

COSTA D´AÇO : A LENDA!

A lenda do escravo Costa D´aço. Contam que um dia chegou pelas bandas de Pontal um escravo fugindo provavelmente de  Palmeirândia, mas ele não sabia que ali também havia engenhos e portanto, trabalho escravo.  Gastão, rico senhor de engenho mandou logo apreender o fugitivo e se apossou dele. Pelo fato de não ter tido custo com esse escravo, castigava ele com mais severidade e não tardava em mandar surrar o pobre homem a todo momento por qualquer motivo. O que Gastão  não sabia é que esse escravo fugitivo tinha amplos conhecimentos de feitiçaria, e  fez um trabalho de magia tão forte que enquanto ele apanhava, quem sentia as dores era a esposa de Gastão, que estava grávida. A cada chibatada era ela quem gritava lá dentro da casa grande. O escravo até então sem nome passou a ser chamado de Costa  D´aço; (uma corruptela de costa de aço) pois não soltava um gemido sequer quando era surrado. Os sucessivos castigos destinados a ele cessaram, pois Gastã...

Dia do poeta...

Chegou o grande dia Que estávamos a esperar, O dia do poeta E para comemorar, Fiz este "cordelzinho" Para poder me expressar! Na verdade ainda não sei Se terá comemoração, Liguei para um amigo Ele disse "não vou, não", Amiga 'tá' tudo caro Olha a alta da inflação. Aí pensei um pouco "É verdade", falei, Se não vou comemorar O que vou fazer não sei, Ah, vou ligar para o rapaz Pelo qual me apaixonei. Talvez com ele eu esqueça Do jeito que o mundo está, Cheio de corrupção E de uma gente tão má, Que procuram o amor Para poder o matar. Jarinha Pereira